Não sei o que se passa comigo hoje


Não sei o que se passa comigo hoje. Existe uma vontade tremenda de soltar para fora tudo o que existe preso em mim. Nem a música me sacia hoje. Preciso de arte, preciso de fazer arte, preciso de libertar tudo.
Descobri neste mês de aulas aquele que é dos maiores pensadores e já dos meus maiores ídolos. Fernando Pessoa. Ah, palavras tão modernas, tão contemporâneas. Percebo todo o seu ponto de vista. A dor de pensar, o desejo do inconsciente, o desejo de não ser, de não saber, o escape e o delicioso que é fragmentar-se em vários. Eu não sou eu, neste momento, mas ao mesmo tempo sou o verdadeiro eu. Neste momento, não há rodeios, não há medos, não há nada a segurar-me. Neste momento sinto-me livre.
Não me sinto oprimido ou qualquer coisa do género, apenas tenho o defeito enorme de não falar nem soltar tudo o que queria e da maneira que queria. E eu quero soltar tanto. Este é o meu momento de maior lucidez e no entanto nunca me senti tão louco.

Caio em mim.

Toda a gente na sua vida tem os seus momentos de “querer desaparecer”. Não falo de morte nem de férias, palavras tão clichés. Falo de uma mudança, uma saída de rotina. Estou saturado de estar sempre rodeado dos mesmos adjetivos. Sinto que está na altura de ser quem eu quero ser e o resto que se cuide.
Como as palavras me faltam. Quis começar por desabafar um drama de adolescente e acabei deambulando tanto. Mas também não quero seguir o cliché e de tão baixo intelecto que é escrever diário. Não. Eu sou mais que isso, mais que tudo isso e sobre esse tão dito drama apenas digo o seguinte: eu serei feliz. Eu irei conseguir ser aquilo que Pessoa sempre quis ser. Eu sentir-me-ei realizado e lutarei para isso. Felizmente para mim, vivemos noutros tempos e nestes tempos, existem ramos e atividades que me preenchem - não o suficiente, pelos vistos.
Acho que toda a gente precisa disto. Momentos de arte, momentos de limpeza, momentos em que o mundo é apenas delas e só delas. Ainda não acabei e já me sinto tão mais leve. E ainda se queixam. Nunca estive tão agradecido por umas aulas de Português como estou agora. Isto era o que eu precisava, isto é o que vou continuar a fazer, isto é o que me tira da agonia constante que é ser consciente e racional.
Eu nem me devia deixar incomodar por pessoas mas ela… quase 3 anos e muitas voltas depois e ela volta a ser tema da minha escrita. Será ela o gatilho, a pólvora, o fósforo? Quem sabe…
Quero tanto saciar esta vontade de saber mais, este espaço intelectual à espera de ser preenchido. É um paradoxo interessante. Querer saber mais mas precisar de conhecimento para tal.
Tanto caos, tanta desorganização, tantas ideias soltas. Eu quero-a.
Às escuras, sozinho, sempre acompanhado pela música. Esta é a minha maneira de escrever.

Hei de experimentar poesia.