Começa-se a instalar


Tarde de sábado. Frio e tédio estupendos. A depressão começa-se a instalar.

Eu tinha tudo planeado na minha cabeça. Tinha-o feito numa manhã em que estava no autocarro para a escola. Primeiro, precisava de dinheiro. Iria ao que tinha acumulado durante várias semanas e iria tirar um euro apenas. Era o único dinheiro que precisaria. Apanhava o autocarro, andava e compraria uma rosa. Só de imaginar fico nervoso. Iria seguindo por onde sei dizendo que estava perto de tua casa. Chegando lá, ficaria no portão (apenas o imagino, nem sei se a tua casa o tem) até tu chegares a mim. Nesse momento, eu revelava a rosa que estava colocada de forma a que não a visses enquanto caminhavas para mim. Apoiava-me sobre um joelho e te diria aquilo que sempre quis: "Sofia, tu és a rapariga mais perfeita que existe. Quero-te só para mim. Prometo fazer-te feliz. Prometo tratar-te como sempre mereces. Prometo nunca de deixar. Prometo fazer de tudo para não caíres mas se o fizeres, prometo estar ao teu lado para te levantar. Prometo ser o teu pilar. Não há nada que eu queira mais do que ser a razão do teu sorriso magnífico. Quero ser o rapaz do qual te orgulhas de ter ao lado. Prometo amar-te para sempre. Agora, pega na rosa, guarda-a, e anda tomar um café comigo.". Tudo planeado, como um mapa, a regra e esquadro. Na minha cabeça, iria dar certo.
Sonhos.

Estou perto de completar 18 anos e posso dizer que nunca atravessei uma fase tão desafiadora, tão má. Tudo parece dar errado e não falo apenas dela. As razões para sorrir constantemente escasseiam mas não me posso ir abaixo pois sei que tenho manter-me firme, forte. Não só por mim, por todos que me rodeiam.

As minhas esperanças começam a cair todas por terra como folhas num outono. Uma após outra, após outra, após outra. Não consigo desistir, ultrapassa-me. Não consigo aceitar deixar a pessoa com quem iria ser feliz escapar. Amar não presta.

Fui ler todas as minhas publicações anteriores. É preciso olhar para isso como um crescimento. Cresci tanto. E tornei-me tão mais frio. Como é que isso aconteceu?
A descrição de tudo, a adjetivação, era algo que eu utilizava muito e isso também desapareceu. Terei eu mudado assim tanto? Mas tudo era tão artístico, tão puro, como agora. É incrível o efeito que tu tens em mim. Sobre isso, apenas digo para juntarmos todos os pequenos pedaços do céu e formarmos um só nosso, onde tudo é perfeito, minha princesa.

É possível que este seja a minha última publicação neste blog. A última folha não tarda a cair e eu não sei o que farei aí. Não consigo desistir. Mas não o apagarei; ficará sempre que algum de nós queira relembrar estas palavras tão não-pensadas, tão sentidas.

Eu amo-te com todas as minhas forças.

Engane-se


Engane-se quem pensa que fica melhor. Não fica.
Sou por natureza uma pessoa otimista, tento e sempre tentei ver o lado positivo das coisas, pensar que tudo vai ficar bem, que tudo vai melhorar. Nunca estive eu tão enganado.

Imagine um balão. De vez em quando, ar é soprado para dentro dele. Com o tempo, obviamente, ele ficará maior. De maneira a não rebentar, de vez em quando, o balão deixa algum ar sair. Mas a quantidade de ar que entra não é proporcional ao ar que sai e algum dia o balão rebenta. Eu, também por natureza, sou um balão muito grande, salvo seja. Mas não deixo de o ser.

Isto cada vez custa mais. Dói e corrói. Fere e deixa marca. Não sei se consigo aguentar muito tempo. Eu tenho que soltar ar para não rebentar. Eu preciso de dizer tudo. Tudo aquilo que quero, tudo aquilo que não posso. E esse tudo vai acumulando, enchendo.

Acordei assim hoje; mal. Faz tempo que não me sentia tão mal, tão necessitado. Tenho quase 18 anos e não me sinto feliz comigo mesmo. Sinto-me vazio. Muito vazio. "Ar", apenas, não completa este vazio. A minha incansável busca pelo que me falta não está sequer perto do final, eu sinto-o.

Estou num daqueles momentos inconsoláveis em que me sinto menos mal a ouvir música, em que tremo da mãos e apenas quero não ser nada. Eu preciso de alguém, a solidão mata e mata muito lentamente. Eu preciso dela. Não sei o que faça.

Faço isto periodicamente; venho ao meu blog e leio tudo o que escrevi ultimamente. Eu não me conheço nesses momentos, parece que não sou eu quem escreve pois tudo aquilo que escrevo, é instinto. Deixo escorrer tudo aquilo que me vai na alma para a ponta dos meus dedos, Sem pensar, sem nada. Queria poder ficar adormecido até tudo passar. Mas nunca sonhando.

Raramente sonho e ultimamente mal faço outra coisa. Nem eu percebo os sonhos, apenas percebo que acordo mal disposto, com alguma dor. É o vazio. O vazio de naquela realidade os problemas não existirem.

Foda-se a minha promessa, eu amo-te e amo-te cada vez mais. Sou capaz de ir ao inferno para te ter. Não quero mais ficar parado, quero lutar, lutar pela minha felicidade, lutar por ti.

Como eu gostaria


Como eu gostaria de ter quem quero. Como eu gostaria de ser feliz. Como eu gostaria de não querer. Como eu queria viver apenas da platonicidade. Mas não consigo.
Não sei se por não ter um intelecto suficientemente elevado para tal, se por ter uma parte sentimental grande demais. "Só sei que nada sei."

Sou apenas um ser humano, por muito que gostasse e que tente de ser mais que isso. Eu necessito de afeto, amor, carinho, tal como qualquer um. Posso conseguir esconder e abafar isso muitas das vezes mas cada dia que passa sem isso, um pedaço de mim aperta. Não sei se é carência, se é frustração, só sei que não quero mais isto.

A cada dia que passa vou-me apercebendo cada vez mais que a vida não joga em meu favor. Ou será que sou eu que não sei jogar a favor da vida? Será que sou eu que sigo sempre o rumo contrário ao que devia seguir? Quantas e quantas vezes já não me questionei sobre isso. A vida é um leque de acasos e acontecimento e quanto, no meio de tantos, poucos são a meu favor, começa-se a pensar que algo está mal. Ou será que isto também sou só eu? Estarei eu tão moldado às ciências exatas que me esqueço que na vida não há regras, não há razões, não há teoremas?

Vejo-me nisto constantemente, o facto de cada vez estar a escrever mais é mau sinal. Nunca ou raramente escrevo quando me sinto feliz ou realizado. Isto é, quando a causa é ela.

Sou um zero a relações. Não sei lidar com nada, não sei lidar comigo mesmo. Não sei lidar com o facto de saber que eu estaria na minha plenitude com ela e nada poder fazer para mudar isso. Não há outra solução senão a distração e a distração é difícil de atingir sozinho. Porra, eu acho que a amo. Não pode estar a acontecer. Será por causa disso que a cada dia me custa mais? Porque a cada dia que passa, ela não o passa comigo? A dor é arrebatadora.


Tentei poesia hoje


Tentei poesia hoje e não me saia nada. Nem sei porque tentei. Talvez me hei de ficar pela prosa.

O razão é sempre a mesma, o assunto pouco varia. Ela.
O blog existe quase para a mesma razão. Para eu poder soltar tudo para fora, tudo o que não lhe posso "dizer" (sendo que ela acaba sempre por ver, e até deve ser a única que o faz para além de mim). É um espaço quase que "nosso". "Nosso". Como eu gostava de poder dizer isto sem as aspas.
Há pouco quase que me dava uma crise mas lá me consegui controlar. É assim que vejo que cresci. Se não o tivesse feito já estava certo a chorar que nem um perdido. Mas ela é fora de série.

Ainda me custa a acreditar que eu "voltei". Depois de tantas reviravoltas e de tanto sofrimento, é a ela que volto a querer. E se quero...

É a primeira vez que estou a dizer isto. Acho que estou a começar a amar novamente. E tenho medo, sério medo de acabar mal, como é costume.

Esta minha mania de deixar pensamentos a meio.

Tenho uma grande revolta dentro de mim. Sei, há já muito tempo, que tenho muito para dar. É um grande defeito meu (até deixar de o ser): amo demais, sinto demais, estou disposto a demais. Defeito porque não tenho ninguém a quem "dar". Eu sei que quando tiver verdadeiramente alguém, farei de tudo para essa pessoa ser feliz e, se depender de mim, ela o será, muito.

E eu tenho que desabafar aqui. Porque não lho posso dizer, não era justo para ela. Eu não lhe vou fazer isso, custa-me vê-la triste.

Mais uma vez, pensamentos curtos, interrompidos, divagantes.

Quero-te, minha menina.

Mais divagação


Mais divagação.

Pus-me a pensar estes dias. Estou sozinho há muito tempo, tempo demais, e habituei-me a isto. Habituei-me a uma coisa que poucas vezes gosto. Habituei-me a ter o meu tempo e só o meu tempo. Habituei-me ao “eu” e deixei o “nós”. Tenho medo, sério medo de isto se vir a complicar. Tenho medo de quando tiver alguém, essa pessoa não tenha atenção suficiente. Sinto tanta falta.

As dúvidas permanecem: “E se ninguém tiver paciência para lidar com isto meu?”, “E se eu não mudo?”, “E se…?”. Passei tanto tempo a aprender a e saber melhor como ligar comigo próprio que agora tenho medo que mais ninguém o saiba fazer. E eu preciso de alguém. Preciso “dela” e preciso tanto.

Não gosto de estar sozinho, é perigoso, preciso de descansar a mente. Encontro-me demasiadas vezes a imaginar-me com ela. É peculiar, não me imagino com ela em cenários extravagantes ou surreais. Apenas me imagino com ela, abraçados, unidos como nunca e eu sei, nesses pequenos segundos em que tudo é tão simples, que é aquilo que eu quero.

Hoje está algo diferente. A vontade de escrever está presente mas não estão nem assuntos, nem ordem, nem palavras definidas sobre aquilo que quero. Quero apenas escrever, abstrair-me do complicado que é a vida e a consciência. Se tudo fosse tão simples como é isto, tudo seria melhor. No entanto, este meu pensamento vai contra um próprio princípio meu: “nada que seja fácil vale realmente a pena”. Mas isso não interessa. Este espaço é meu, as contradições são minhas e nada que outros pensem interessa neste momento. É outro dos meu medos, ser demasiado contraditório para alguém que não eu. Outra contradição. Não vou negar, não deve ser nada fácil aturar-me, felizmente, sou muito boa pessoa, modéstia à parte (tem isto em conta, Sofia).

Não é tudo mais fácil com humor? Eu que o diga. Uma vez aprendido a usar, só bem nos trará. Más situações? Não há problema, a boa disposição continua lá.

Poucas palavras mas por hoje chega, acabou o combustível artístico-intelectual.







Lembra-te, pequena, tudo fica melhor.

Não sei o que se passa comigo hoje


Não sei o que se passa comigo hoje. Existe uma vontade tremenda de soltar para fora tudo o que existe preso em mim. Nem a música me sacia hoje. Preciso de arte, preciso de fazer arte, preciso de libertar tudo.
Descobri neste mês de aulas aquele que é dos maiores pensadores e já dos meus maiores ídolos. Fernando Pessoa. Ah, palavras tão modernas, tão contemporâneas. Percebo todo o seu ponto de vista. A dor de pensar, o desejo do inconsciente, o desejo de não ser, de não saber, o escape e o delicioso que é fragmentar-se em vários. Eu não sou eu, neste momento, mas ao mesmo tempo sou o verdadeiro eu. Neste momento, não há rodeios, não há medos, não há nada a segurar-me. Neste momento sinto-me livre.
Não me sinto oprimido ou qualquer coisa do género, apenas tenho o defeito enorme de não falar nem soltar tudo o que queria e da maneira que queria. E eu quero soltar tanto. Este é o meu momento de maior lucidez e no entanto nunca me senti tão louco.

Caio em mim.

Toda a gente na sua vida tem os seus momentos de “querer desaparecer”. Não falo de morte nem de férias, palavras tão clichés. Falo de uma mudança, uma saída de rotina. Estou saturado de estar sempre rodeado dos mesmos adjetivos. Sinto que está na altura de ser quem eu quero ser e o resto que se cuide.
Como as palavras me faltam. Quis começar por desabafar um drama de adolescente e acabei deambulando tanto. Mas também não quero seguir o cliché e de tão baixo intelecto que é escrever diário. Não. Eu sou mais que isso, mais que tudo isso e sobre esse tão dito drama apenas digo o seguinte: eu serei feliz. Eu irei conseguir ser aquilo que Pessoa sempre quis ser. Eu sentir-me-ei realizado e lutarei para isso. Felizmente para mim, vivemos noutros tempos e nestes tempos, existem ramos e atividades que me preenchem - não o suficiente, pelos vistos.
Acho que toda a gente precisa disto. Momentos de arte, momentos de limpeza, momentos em que o mundo é apenas delas e só delas. Ainda não acabei e já me sinto tão mais leve. E ainda se queixam. Nunca estive tão agradecido por umas aulas de Português como estou agora. Isto era o que eu precisava, isto é o que vou continuar a fazer, isto é o que me tira da agonia constante que é ser consciente e racional.
Eu nem me devia deixar incomodar por pessoas mas ela… quase 3 anos e muitas voltas depois e ela volta a ser tema da minha escrita. Será ela o gatilho, a pólvora, o fósforo? Quem sabe…
Quero tanto saciar esta vontade de saber mais, este espaço intelectual à espera de ser preenchido. É um paradoxo interessante. Querer saber mais mas precisar de conhecimento para tal.
Tanto caos, tanta desorganização, tantas ideias soltas. Eu quero-a.
Às escuras, sozinho, sempre acompanhado pela música. Esta é a minha maneira de escrever.

Hei de experimentar poesia.