Como eu gostaria


Como eu gostaria de ter quem quero. Como eu gostaria de ser feliz. Como eu gostaria de não querer. Como eu queria viver apenas da platonicidade. Mas não consigo.
Não sei se por não ter um intelecto suficientemente elevado para tal, se por ter uma parte sentimental grande demais. "Só sei que nada sei."

Sou apenas um ser humano, por muito que gostasse e que tente de ser mais que isso. Eu necessito de afeto, amor, carinho, tal como qualquer um. Posso conseguir esconder e abafar isso muitas das vezes mas cada dia que passa sem isso, um pedaço de mim aperta. Não sei se é carência, se é frustração, só sei que não quero mais isto.

A cada dia que passa vou-me apercebendo cada vez mais que a vida não joga em meu favor. Ou será que sou eu que não sei jogar a favor da vida? Será que sou eu que sigo sempre o rumo contrário ao que devia seguir? Quantas e quantas vezes já não me questionei sobre isso. A vida é um leque de acasos e acontecimento e quanto, no meio de tantos, poucos são a meu favor, começa-se a pensar que algo está mal. Ou será que isto também sou só eu? Estarei eu tão moldado às ciências exatas que me esqueço que na vida não há regras, não há razões, não há teoremas?

Vejo-me nisto constantemente, o facto de cada vez estar a escrever mais é mau sinal. Nunca ou raramente escrevo quando me sinto feliz ou realizado. Isto é, quando a causa é ela.

Sou um zero a relações. Não sei lidar com nada, não sei lidar comigo mesmo. Não sei lidar com o facto de saber que eu estaria na minha plenitude com ela e nada poder fazer para mudar isso. Não há outra solução senão a distração e a distração é difícil de atingir sozinho. Porra, eu acho que a amo. Não pode estar a acontecer. Será por causa disso que a cada dia me custa mais? Porque a cada dia que passa, ela não o passa comigo? A dor é arrebatadora.


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