Como eu gostaria


Como eu gostaria de ter quem quero. Como eu gostaria de ser feliz. Como eu gostaria de não querer. Como eu queria viver apenas da platonicidade. Mas não consigo.
Não sei se por não ter um intelecto suficientemente elevado para tal, se por ter uma parte sentimental grande demais. "Só sei que nada sei."

Sou apenas um ser humano, por muito que gostasse e que tente de ser mais que isso. Eu necessito de afeto, amor, carinho, tal como qualquer um. Posso conseguir esconder e abafar isso muitas das vezes mas cada dia que passa sem isso, um pedaço de mim aperta. Não sei se é carência, se é frustração, só sei que não quero mais isto.

A cada dia que passa vou-me apercebendo cada vez mais que a vida não joga em meu favor. Ou será que sou eu que não sei jogar a favor da vida? Será que sou eu que sigo sempre o rumo contrário ao que devia seguir? Quantas e quantas vezes já não me questionei sobre isso. A vida é um leque de acasos e acontecimento e quanto, no meio de tantos, poucos são a meu favor, começa-se a pensar que algo está mal. Ou será que isto também sou só eu? Estarei eu tão moldado às ciências exatas que me esqueço que na vida não há regras, não há razões, não há teoremas?

Vejo-me nisto constantemente, o facto de cada vez estar a escrever mais é mau sinal. Nunca ou raramente escrevo quando me sinto feliz ou realizado. Isto é, quando a causa é ela.

Sou um zero a relações. Não sei lidar com nada, não sei lidar comigo mesmo. Não sei lidar com o facto de saber que eu estaria na minha plenitude com ela e nada poder fazer para mudar isso. Não há outra solução senão a distração e a distração é difícil de atingir sozinho. Porra, eu acho que a amo. Não pode estar a acontecer. Será por causa disso que a cada dia me custa mais? Porque a cada dia que passa, ela não o passa comigo? A dor é arrebatadora.


Tentei poesia hoje


Tentei poesia hoje e não me saia nada. Nem sei porque tentei. Talvez me hei de ficar pela prosa.

O razão é sempre a mesma, o assunto pouco varia. Ela.
O blog existe quase para a mesma razão. Para eu poder soltar tudo para fora, tudo o que não lhe posso "dizer" (sendo que ela acaba sempre por ver, e até deve ser a única que o faz para além de mim). É um espaço quase que "nosso". "Nosso". Como eu gostava de poder dizer isto sem as aspas.
Há pouco quase que me dava uma crise mas lá me consegui controlar. É assim que vejo que cresci. Se não o tivesse feito já estava certo a chorar que nem um perdido. Mas ela é fora de série.

Ainda me custa a acreditar que eu "voltei". Depois de tantas reviravoltas e de tanto sofrimento, é a ela que volto a querer. E se quero...

É a primeira vez que estou a dizer isto. Acho que estou a começar a amar novamente. E tenho medo, sério medo de acabar mal, como é costume.

Esta minha mania de deixar pensamentos a meio.

Tenho uma grande revolta dentro de mim. Sei, há já muito tempo, que tenho muito para dar. É um grande defeito meu (até deixar de o ser): amo demais, sinto demais, estou disposto a demais. Defeito porque não tenho ninguém a quem "dar". Eu sei que quando tiver verdadeiramente alguém, farei de tudo para essa pessoa ser feliz e, se depender de mim, ela o será, muito.

E eu tenho que desabafar aqui. Porque não lho posso dizer, não era justo para ela. Eu não lhe vou fazer isso, custa-me vê-la triste.

Mais uma vez, pensamentos curtos, interrompidos, divagantes.

Quero-te, minha menina.

Mais divagação


Mais divagação.

Pus-me a pensar estes dias. Estou sozinho há muito tempo, tempo demais, e habituei-me a isto. Habituei-me a uma coisa que poucas vezes gosto. Habituei-me a ter o meu tempo e só o meu tempo. Habituei-me ao “eu” e deixei o “nós”. Tenho medo, sério medo de isto se vir a complicar. Tenho medo de quando tiver alguém, essa pessoa não tenha atenção suficiente. Sinto tanta falta.

As dúvidas permanecem: “E se ninguém tiver paciência para lidar com isto meu?”, “E se eu não mudo?”, “E se…?”. Passei tanto tempo a aprender a e saber melhor como ligar comigo próprio que agora tenho medo que mais ninguém o saiba fazer. E eu preciso de alguém. Preciso “dela” e preciso tanto.

Não gosto de estar sozinho, é perigoso, preciso de descansar a mente. Encontro-me demasiadas vezes a imaginar-me com ela. É peculiar, não me imagino com ela em cenários extravagantes ou surreais. Apenas me imagino com ela, abraçados, unidos como nunca e eu sei, nesses pequenos segundos em que tudo é tão simples, que é aquilo que eu quero.

Hoje está algo diferente. A vontade de escrever está presente mas não estão nem assuntos, nem ordem, nem palavras definidas sobre aquilo que quero. Quero apenas escrever, abstrair-me do complicado que é a vida e a consciência. Se tudo fosse tão simples como é isto, tudo seria melhor. No entanto, este meu pensamento vai contra um próprio princípio meu: “nada que seja fácil vale realmente a pena”. Mas isso não interessa. Este espaço é meu, as contradições são minhas e nada que outros pensem interessa neste momento. É outro dos meu medos, ser demasiado contraditório para alguém que não eu. Outra contradição. Não vou negar, não deve ser nada fácil aturar-me, felizmente, sou muito boa pessoa, modéstia à parte (tem isto em conta, Sofia).

Não é tudo mais fácil com humor? Eu que o diga. Uma vez aprendido a usar, só bem nos trará. Más situações? Não há problema, a boa disposição continua lá.

Poucas palavras mas por hoje chega, acabou o combustível artístico-intelectual.







Lembra-te, pequena, tudo fica melhor.